Quem sou eu?

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Olá! Sou professora de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação de Campinas e trabalho com inclusão escolar na rede regular de ensino, desde 2003. Atualmente atuo na Sala de Recursos Multifuncionais, fazendo o Atendimento Educacional Especializado para crianças com deficiência, TGD e altas habilidades no contra turno da escola regular. Sou casada, tenho dois filhos pequenos (meus ruivinhos lindinhos) e um cachorro fofo. Nossa família é cristã e sempre se reúne para orar, ler a Bíblia e fazer estudos bíblicos com as pessoas. Gosto muito de ler, cantar, tocar violão, meia lua. Também escrevo livros infantis e gosto muito desse trabalho. Tenho quatro livros publicados pela Editora Árvore da Vida,  artigos sobre educação e um livro digital publicado pela Saraiva: Josias - pé na cidade, coração no rio. Outros livros estão em andamento! Possuo quatro blogs:

Espero que você goste! Boa leitura!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Vídeo: A história do movimento político das pessoas com deficiência no Brasil.


Esse vídeo é  composto de pessoas escolhidas para falar sobre o movimento político das pessoas com deficiência no Brasil, pessoas que participaram desse movimento e lembram os congressos, as lutas, as discussões em torno da legislação.

Seguem os links para assistir aos vídeos e um resumo daquilo que considerei importante no vídeo. 



História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil.



História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil 1/5:


http://www.youtube.com/watch?v=e6nJRoZkf0w


História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil 2/5:


História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil 3/5:


História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil 4/5:


História do Movimento Político das Pessoas com Deficiência no Brasil 5/5:



Há uma história do movimento político das pessoas com deficiência no Brasil e é disso que esses vídeos retratam.
Final de 1970 – início do movimento de pessoas deficientes, que antes eram invisíveis na sociedade, institucionalizadas ou reservadas apenas ao âmbito familiar. Todas as ações em torno da pessoa deficiente tinham como base a caridade e na a cidadania ou a conquista dos direitos. Estes começaram a falar por si, uma vez que nenhuma deficiência pode limitar a vida.
No Século XIX, do Brasil Imperial, tivemos como marco o Instituto Benjamim Constant, primeiro instituto na América do Sul que veio trazendo o Braille e se formalizando a educação para as pessoas cegas.
Ainda nesse século, em 1856, tivemos também o Instituto Nacional para Educação de Surdos. Antes o surdo era visto como doente e incapaz de aprender. Nesse momento, passa a receber um espaço de ensino formal, espelhado nos moldes dos institutos europeus.
Porém, nesses dois casos a institucionalização não deixava de ser um processo de tirar do âmbito da sociedade o que era difícil para a própria sociedade cuidar e delegar a uma instituição com o poder de fazer “caridade” ao que menos podia, aquele que não tinha direito a nada.
No século XX, surgem duas grandes instituições no Brasil: a Pestalozzi, em 1932 e a APAE em 1954. A Pestalozzi, por exemplo, passou a oferecer os primeiros cursos sobre estimulação precoce e o trabalho com pessoas com deficiência. Professores que passavam por esses cursos passaram a abrir outras Pestalozzis em outras partes do país. Isso porque o Estado não assumia a questão e deixando a cargo das instituições.
Em 1950 houve um surto de Pólio que resultou na construção de centros de reabilitação. Porém, estes se baseavam apenas no ponto de vista médico e a missão do médico terminava quando o paciente estava “reabilitado”, e reintegrado ao trabalho. Os médicos determinavam o que era melhor para o deficiente e muitas vezes esse era obrigado a ficar de pé. Depois que saiam dos centros, as pessoas ficavam “por conta própria” e não havia um movimento de inclusão de fato na sociedade.
Em 1979 começaram a surgir realmente os movimentos de e pelos deficientes e não para eles. Alguns seguimentos passaram a se organizar. Não havia muito sobre o assunto em termos de literatura, legislação. O país iniciava um processo de abertura política que permitiu uma rede de democratização e organização da pessoa com deficiência.
Os primeiros congressos foram sendo organizados em escolas públicas e privadas, quartéis, mesmo sem qualquer condição de acessibilidade, pois essa é uma discussão muito atual. As reivindicações eram diversas: Libras, rampas, Braille.... Questões filosóficas, práticas, políticas, tudo misturados, pois era a primeira vez que tinham “voz”, visibilidade e houve unidade dos diversos grupos nesse momento.
Em 1981, Ano Internacional da Pessoa Deficiente, foi a primeira vez no mundo em que discussões importantes em torno da deficiência foram levantadas e que estes começaram a serem vistos, num âmbito internacional, enquanto pessoas e não inválidas. A ONU passou a chamar de pessoas deficientes.
Então, os diversos seguimentos passaram a escrever para deputados, senadores, para que esses prestassem atenção na maneira assistencialista como eram tratados e passassem a lutar pela autonomia dessas pessoas. O encontro nacional em Recife, por exemplo, foi muito importante para trazer temas totalmente novos, como o da acessibilidade, que como já foi dito, era uma palavra inexistente.
Passou-se então a haver discussões dentro das especificidades de cada área, numa luta por espaços próprios. Em 1983, em São Bernardo do Campo um Encontro de Entidades para discussão das diversidades e especificidades de cada grupo não deu certo naquela ocasião, pois cada um achava sua área mais importante e houve um racha no movimento, deixando de lado o ideal de luta pela igualdade do direito à cidadania.
Nesse mesmo tempo as discussões sobro a área da saúde e da luta pelo SUS sofreram uma grande revolução no sentido de do Estado passar a dar total apoio à pessoa com deficiência através do Sistema Único de Saúde, para que esses não dependessem de caridade ou obras assistencialistas, mas tivessem seu direito de ser atendido pelo serviço público, obrigação e dever do Estado para com todos.
Na década de 80 temos a criação do AMA – Associação dos Amigos do Autista, importante uma vez que não havia até então, nada nessa área no Brasil.
Em 1988 a Assembleia Nacional Constituinte promulga a Constituição Federal Brasileira.O processo teve início em 87 com assembleia públicas onde diversos grupos traziam suas reivindicações. Porém, nesse momento, os surdos foram negligenciados, pois não havia que os interpretasse na época. Houve reuniões, encontros, fóruns. Histórias, visões diferentes foram sendo colocadas. Tais pessoas ganharam o direito de intervir diretamente nas leis. Naquele momento, as pessoas deficientes tinham muito claro que não queriam ser um gueto e apresentaram propostas para todas as áreas da constituição. Os deputados queriam fazer um capítulo especial, a parte, com o objetivo de contemplá-los, porém a grande vitória foi ter integrado e garantido, em todos os capítulos, os direitos da pessoa deficiente.
Em 1986 temos a CORDE – Coordenadoria Nacional da Pessoa com Deficiência. Essa coordenadoria foi criada para lidar com os temas relacionados a essas questões, trazendo as aspirações, metodologias, discussões e colaborações na criação de documentos para serem encaminhados aos ministérios, visando a elaboração de leis que atendessem a reais necessidades dessas pessoas, lutando por todos, sem deixar de atentar para as especificidades. Era um elo entra a sociedade civil e o poder público nos três níveis: municipal, estadual e federal.
A partir da CORDE surgiu o CONADE - O Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência foi criado para acompanhar e avaliar o desenvolvimento da política nacional para inclusão da pessoa com deficiência e das políticas setoriais. Era um controle social do instrumento legal. Porém, houve momento em que, na prática, o conselho não funcionava pelo fato de o governo não assumir o seguimento e o próprio movimento não trazer propostas mais contundentes quando havia tal falha.
Entre 2006 e 2008 houve outros marcos, graças a reuniões e congressos municipais e nacionais para discussões sobre políticas públicas envolvendo diferentes partidos políticos para tratar do assunto: Diversidade e Direitos Humanos.

Essas mudanças trouxeram para nós importantes discussões sobre direitos e não privilégios, equiparação de oportunidades e não benefícios, uma vez que a história mostrou uma completa falta de oportunidade para a pessoa com deficiência o que limitou a sua inclusão social. Hoje, discutimos que inclusão é igual a família, estudo, trabalho, lazer, porém a nossa sociedade ainda exige que a pessoa com deficiência alcance um padrão para se encaixar, mas ela mesma pouco se propõe a mudar, retirar barreiras, obstáculos, para que a pessoa faça parte da sociedade. O termo acessibilidade, por exemplo, é algo tão recente! 
As barreiras ainda são arquitetônicas, pois, o próprio ambiente pode potencializar ou zerar a dificuldade. As barreiras ainda são atitudinais quando ouvimos:

“Coitado, ele não consegue votar por causa da escada.”

Ao invés de:

“Que absurdo, ele não poder votar porque não há acesso.”


De maneira prática, ainda temos muito para lutar:

Para uma pessoa cega, ter mais livros em Braille é fundamental, temos pouquíssimos livros em Braille no Brasil.
Para uma pessoa surda, ter a Libras reconhecida como língua oficial (como foi em 2002), mas acima de tudo, ser disponibilizada para todos, tornando-se cada vez mais visível para a sociedade.
Para uma pessoa com Deficiência Física, ter a possibilidade de mais autonomia, independência nos espaços e logradouros...

Enfim, em todo esse tempo, a maior conquista foi ter a pessoa com deficiência lutando, falando, pensando, interferindo nos seus próprios direitos, como foi na Convenção da Pessoa com Deficiência em 2006, o que mostra uma grande revolução cultural! Foi a maior visibilidade que esses ganharam e a garantia de seus direitos em lei. Porém,

O ideal seria que a sociedade fizesse um movimento

único em favor de todos, buscando para todos o ideal

de ser cidadão.

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